Cenário e Estratégia

Cenário Econômico

O primeiro semestre de 2020 foi determinado pela permanência de elevadas incertezas no ambiente internacional, em razão da continuidade da pandemia da Covid-19, embora o número de novos casos da doença tenha apresentado redução significativa em várias regiões do mundo, destacando-se Ásia e Europa. Em sentido oposto, em outras localidades a enfermidade ainda não foi controlada e os casos seguiram avançando, situação de alguns estados norte-americanos e de uma série de nações emergentes, particularmente as da América Latina. Frente a essa conjuntura, as perspectivas de flexibilização das medidas de distanciamento social acabaram por apresentar evolução aquém do esperado, o que se refletiu nos indicadores de atividade, que continuaram a exibir leituras predominantemente desfavoráveis, demonstrando melhora apenas no segundo trimestre, movimento que não foi suficiente para evitar revisões baixistas das projeções para o crescimento de importantes economias e, consequentemente, do PIB global.

Especificamente na China, país de origem da pandemia, as restrições impostas no início do ano começaram a ser removidas a partir do segundo trimestre, movimento que, aliado a medidas de suporte fiscal e monetário implementadas no País, exerceu influência positiva sobre os indicadores de atividade, particularmente nos segmentos industrial e de serviços. Em linha, na Europa, que passou por severas dificuldades de enfrentamento da Covid-19 nos primeiros meses do ano, a gradativa redução do número de novos casos da doença permitiu a vários países o retorno de algumas atividades econômicas, dinâmica que, em conjunto com as ações monetárias de caráter expansionista implementadas ativamente pelo Banco Central Europeu, repercutiu em recuperação da confiança de empresários e em avanço do consumo das famílias e, consequentemente, na melhora do desempenho do comércio varejista e da indústria em importantes economias da região. Por sua vez, na economia norte-americana, os problemas relacionados à contenção do Coronavírus e a diversidade quanto ao timing do pico pandêmico nos estados penalizaram de modo relevante a atividade econômica do País, que teve de impor, durante a maior parte do semestre, inúmeras restrições visando a evitar um crescimento ainda mais acelerado da doença.

No Brasil, o distanciamento social iniciado em diversos estados ao final do primeiro trimestre visando à contenção do vírus foi posteriormente flexibilizado em muitas regiões, movimento que repercutiu no aumento de novos casos da patologia e em elevada ocupação de leitos hospitalares, levando o País a ser considerado pela Organização Mundial de Saúde o novo epicentro da pandemia. Em meio a essa conjuntura, a economia, que já apresentava dificuldades para ganhar tração, foi bastante penalizada em todos os setores de atividade, deteriorando a confiança de consumidores e empresários. Com isso, a ociosidade, que já se encontrava elevada antes do advento do Coronavírus, ficou ainda maior, contribuindo para que os preços se sustentassem em nível bastante confortável, a despeito da manutenção da depreciação do Real ante o Dólar, a qual fez com que a moeda doméstica atingisse, em fins de junho, R$5,48/US$, uma desvalorização de 36,2% ante a cotação verificada no início de janeiro. Frente a esse contexto, o Banco Central do Brasil decidiu dar continuidade ao ciclo de afrouxamento das condições monetárias, levando a Taxa Selic à nova mínima histórica de 2,25% ao ano, além de manter e anunciar medidas que flexibilizam o pagamento de obrigações, o que, em conjunto com as medidas de caráter emergencial oferecidas pelo governo federal, tende a evitar uma elevação expressiva da inadimplência e um recuo ainda mais significativo do PIB do País.

No Rio Grande do Sul, ainda que os casos de Covid-19 tenham avançado de modo mais expressivo apenas no período recente, a adoção de uma série de medidas visando ao distanciamento social desde o final do primeiro trimestre exerceu influência bastante negativa sobre a atividade econômica do Estado, o que se refletiu em recuo significativo da produção industrial, das vendas do varejo e do volume de serviços. Em linha, o comércio exterior gaúcho apresentou desempenho desfavorável no período, acumulando superávit de US$3,5 bilhões nos seis primeiros meses de 2020, ante saldo positivo de US$4,9 bilhões no mesmo período de 2019, reflexo de uma queda de 26,3% das exportações e de 23,7% das importações.

Estratégia Corporativa

O Banrisul é um banco de varejo que tem por Missão ser o agente financeiro do Estado para promover o desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Sul. Considerando a Missão e, ainda, a Visão de ser um Banco público rentável, sólido e competitivo, integrado às comunidades e que presta serviços com excelência, foi estruturada a estratégia da Instituição baseada em cinco pilares que guiam seus esforços. São eles:

Essência: reforçar o compromisso com sua essência de ser um banco de varejo, com foco de atuação no Rio Grande do Sul. Para isso, investe fortemente em produtos para micro e pequenas empresas e, também, no agronegócio, que é a base do desenvolvimento econômico do Estado. Cabe ressaltar que é com esse compromisso que a Instituição consolida sua missão, bem como aproxima e fortifica o relacionamento com os clientes.

Pessoas: para o Banrisul é somente com a força das pessoas que se alcança o sucesso organizacional. Para isso, o Banco desenvolve uma cultura ágil e transformadora, promovendo o engajamento e a melhoria dos processos de gestão de pessoas.

Eficiência: a Instituição adota uma gestão com eficiência, centrando os objetivos em processos mais ágeis e simplificados, no aperfeiçoamento da infraestrutura e arquitetura de TI, no aprimoramento da gestão de riscos e também no alinhamento às melhores práticas de gestão.

Transformação: percorrer o caminho da transformação, por meio da implantação de novos modelos de negócios e de novas tecnologias, manterá o Banrisul competitivo no mercado.

Cliente: considerando a semelhança dos produtos ofertados no mercado, a entrada de novos competidores e a busca dos clientes por valor agregado e inovação, o Banrisul intensifica o foco no cliente, com intuito de proporcionar a melhor experiência em soluções financeiras e elevar o seu nível de satisfação.

Estratégia de Negócios

Em relação à estratégia de negócios, a Instituição pretende reforçar o atendimento ao público de varejo no segmento de pessoa física e ampliar o atendimento às pequenas e médias empresas. Nesse sentido, são detalhadas a seguir as principais informações pertinentes a estas linhas de negócios e suas estratégias.

O foco de atuação comercial no segmento de pessoa física, prioriza, no setor público, em especial as linhas de crédito consignado aos servidores públicos ativos e inativos e aposentados do INSS, bem como a ampliação do relacionamento com profissionais liberais, público jovem e clientes Afinidade.

No segmento empresarial, o direcionamento comercial se mantém nas empresas de médio e pequeno porte e microempresas (PME), onde foco é a oferta de recursos para capital de giro com garantia real, que abrange produtos e serviços como a aquisição de bens, investimentos em projetos sustentáveis, a antecipação de recebíveis, operações de capital de giro com garantia de recebíveis e cartões e, ainda, o fornecimento de equipamentos da rede de adquirência Vero e a prestação de serviços, como cobrança, folha de pagamento e gestão de pagamentos eletrônicos.

No crédito especializado, o Banco incentiva o crédito rural através de financiamentos de investimento, custeio, comercialização e industrialização dos produtos agropecuários, atendendo agricultores familiares, médios produtores, agricultores empresarias e cooperativas de produção agropecuária.

A diversificação na prestação de serviços como forma de gerar receitas à Instituição constitui importante fator para a cobertura dos custos fixos. Assim, o Banco concentra esforços em ações comerciais focadas em produtos como cartões, rede de adquirência, consórcios e seguros, potencializando o número de produtos consumidos pelos clientes.