Tendências Recentes da Indústria Bancária do Brasil

A indústria bancária do Brasil passou por importantes mudanças estruturais, do ambiente altamente inflacionário experimentado nos anos 80 e início dos anos 90, para um ambiente de maior estabilidade monetária e macroeconômica, a partir de 1994, após o lançamento do Plano Real. Anteriormente a 1994, os bancos beneficiavam-se de altos ganhos inflacionários (que, segundo estimativas do Banco Central, atingiram o ápice de 35,0% do total das receitas do setor), e a indústria caracterizava-se por uma forte presença de bancos estatais, aliada às limitações regulatórias à participação de instituições financeiras estrangeiras, resultando em baixa competitividade no setor e estruturas de custo ineficientes.

A estabilidade monetária alcançada em 1994 produziu uma elevação permanente na demanda por crédito no Brasil. Tal elevação, aliada à perda dos ganhos inflacionários, pressionou a indústria bancária a aumentar sua eficiência operacional, abrindo caminho para um período de racionalização e consolidação. O governo brasileiro monitorou ativamente este processo, desenvolvendo programas destinados a proteger o interesse público, que incluíam medidas para assegurar a solvência do sistema, reduzir o papel de instituições estaduais, e aumentar a concorrência entre bancos privados. O governo brasileiro também reduziu as restrições à entrada de bancos estrangeiros no mercado brasileiro e, em razão disto, verificou-se um significativo aumento da participação desses bancos na indústria.

Apesar do Brasil ainda possuir uma baixa taxa de penetração bancária (crédito/PIB) em comparação com outros países mais desenvolvidos, esta taxa tem aumentado de modo significativo em anos recentes. De acordo com o Banco Central, aproximadamente 40 milhões de brasileiros não têm acesso a qualquer serviço bancário. O Brasil ainda está atrás de outros mercados emergentes comparáveis, em termos de crédito ao consumidor, e também atrás de outros países mais desenvolvidos, indicando a existência de potencial para maior expansão das operações bancárias.

A gráfico abaixo apresenta a evolução do crédito em circulação nos balanços de empréstimos no sistema financeiro nacional, efetuados com fundos livres (não sujeitos a exigências de destinação específica) durante os períodos indicados:


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O Mercado de Crédito ao Consumidor

De acordo com dados do Banco Central do Brasil, o balanço total do mercado de crédito ao consumidor cresceu, em média, a uma taxa composta de crescimento anual de 22,5%, entre 31 de dezembro de 2000 e 31 de dezembro de 2009, alcançando R$319,4 bilhões, em 31 de dezembro de 2009, ou 44,5% de todo o crédito em circulação no Brasil.

O gráfico abaixo apresenta a tendência do crédito ao consumidor em circulação, por produto:


O cheque especial, também chamado de conta garantida, é normalmente oferecido por instituições que aceitam depósitos à vista. Estas são em geral os principais bancos de varejo, incluindo grandes conglomerados estrangeiros. As taxas de juros são relativamente elevadas e, em razão disto, o BMG acredita que os consumidores utilizem esta linha de crédito como última alternativa.

Os empréstimos pessoais (empréstimos efetuados sem uma destinação específica) são caracterizados por taxas de juros relativamente elevadas, destinadas a compensar as relativamente elevadas taxas de inadimplência. Esta modalidade de empréstimo é frequentemente utilizada por consumidores que possuem disponibilidade limitada de crédito. Não existem garantias, e os fundos não estão presos a qualquer destinação específica. Os principais bancos de varejo oferecem empréstimos pessoais à sua base de clientes por meio de sua rede de agências, enquanto os bancos de pequeno e médio porte, focados em certo nicho de mercado, operam por meio de pequenos escritórios localizados nas principais cidades do Brasil.

O mercado de financiamento de veículos é basicamente dominado por grandes bancos de varejo, os quais passaram gradativamente a ocupar as posições antes ocupadas por instituições financeiras ligadas às montadoras de veículos. As taxas de juros nesse mercado são extremamente competitivas e o acesso a um financiamento atraente representa uma importante vantagem. As instituições menores que atendem a este mercado estão, em sua maioria, focadas no segmento de veículos usados. As taxas de inadimplência são relativamente baixas e os empréstimos são garantidos pelo veículo financiado, o qual pode ser retomado e leiloado em caso de inadimplência do tomador do empréstimo.

O empréstimo via cartão de crédito é dominado por grandes bancos de varejo, operando sob suas próprias bandeiras em associação com bandeiras internacionais como MasterCard e Visa. As taxas de inadimplência nesta modalidade de crédito são relativamente elevadas assim como as taxas de juros cobradas dos consumidores.

O parcelamento via cartão de crédito oferecido por cadeias de lojas varejistas envolve o financiamento de produtos de consumo, incluindo bens duráveis, como materiais de construção e eletrodomésticos, assim como bens não duráveis, como artigos de vestuário e gêneros alimentícios. O mercado de parcelamento via cartão de crédito é o mais fragmentado de todos os segmentos do crédito ao consumidor no Brasil. Grandes cadeias varejistas têm tradicionalmente financiado as compras de seus consumidores, mas recentemente alguns acordos foram firmados entre cadeias de lojas e bancos interessados em assumir estas operações de crédito.

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Expansão do Mercado de Empréstimos Consignados

O mercado de empréstimos consignados desenvolveu-se em resposta à demanda do consumidor brasileiro por fontes alternativas de crédito. Historicamente, o custo de acesso às linhas mais tradicionais de crédito tem sido muito elevado, por diversas razões, incluindo o grau de competição do setor bancário, a estrutura jurídica e institucional, e os riscos do crédito. De acordo com dados do Banco Central do Brasil, em 31 de dezembro de 2009, os bancos de varejo cobravam, em média, taxas de juros anuais de 167,0% no crédito via cheque especial e 45,6% em linhas de crédito pessoal (incluindo empréstimos consignados). Além disso, na mesma data, as taxas médias de juros em empréstimos para o financiamento de veículos e no crédito via lojas varejistas correspondiam a 26,9% e 55,3%, ao ano, respectivamente. Em 31 de dezembro de 2009, a taxa anual de juros média nos empréstimos consignados correspondia a 27,9%. Os empréstimos consignados vieram substituir os empréstimos pessoais diretos como a mais atraente alternativa de crédito ao consumidor sem garantia.


O quadro abaixo detalha o saldo dos créditos consignados para funcionários do setor public e privado, assim como para aposentados do INSS e pensionistas, em 31 de dezembro de cada ano:

  Saldo pendente (R$ bilhões)Empréstimos Comerciais %
Setor Público e INSS Setor Privado Total Consignado Crédito ao Consumidor Crédito Pessoal
2005 28,3 4,0 32,3 21,0 45,7
2006 42,1 6,0 48,1 25,3 54,3
2007 56,2 8,5 64,7 25,9 57,5
2008 68,2 10,7 78,9 27,7 54,9
Jun/09 79,4 12,4 91,8 29,9 56,8

Inclui créditos concedidos por cooperativas de crédito

Fonte: Banco Central do Brasil

A porcentagem de empréstimos consignados no total de empréstimos concedidos a pessoas físicas aumentou de 45,7%, em 31 de dezembro de 2005, para 56,8%, em 31 de dezembro de 2009

Os empréstimos consignados são a modalidade de crédito ao consumidor que mais cresce no Brasil. Sua participação no total de créditos ao consumidor aumentou de 21,0%, em 31 de dezembro de 2005, para 29,9%, em 30 de junho de 2009, de acordo com dados do Banco Central do Brasil. Os empréstimos consignados podem ser disponibilizados à maior parte da população brasileira que não possui contas bancárias ou acesso aos canais tradicionais de distribuição bancária, a qual representa um contingente substancial.

Índices e Cotações

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