Em 17 de outubro de 1931, num povoado à margem do rio Glória, chamado Itamuri, município de Muriaé, Minas Gerais, Antonio Gomes da Silva, pequeno comerciante, e Dolores Peres Gomes da Silva, dona de casa, viram chegar ao mundo, seu décimo primeiro descendente, José Alencar, de um total de 15 filhos. Um lar tipicamente mineiro em sua simplicidade, no culto aos valores espirituais e morais e na vivência familiar austera e impregnada de amor.

José Alencar madrugou no trabalho. Aos sete anos, ensaiava os primeiros passos atrás do balcão da loja do pai, “mais para atrapalhar do que para ajudar”, admite ele. Aos 14 anos, decidiu que era hora de ir mais longe.

Em 1946, deixou a casa paterna, indo para Muriaé trabalhar como balconista na loja de tecidos “A Sedutora”. Na partida, ouviu um conselho do pai: “Meu filho, o importante na vida é poder voltar”. Desse conselho, nunca mais se esqueceu.

Durante bom tempo lá, em Muriaé, José Alencar dormiria em um catre, no corredor do Hotel da Estação. O salário de 300 cruzeiros não dava para pagar o quarto.

Em maio de 1948, José Alencar muda-se para Caratinga. Levava dois cruzeiros e trinta centavos no bolso, a mesma malinha de madeira com que saiu de casa e nenhuma dívida. Precisou pouco tempo para ser considerado, a exemplo do que já havia ocorrido na loja “A Sedutora”, de Muriaé, o melhor vendedor também da Casa Bonfim, de Caratinga.

“Lá comecei ganhando 600 cruzeiros mensais e pagava 300 de pensão. Uma pensão de categoria – vamos dizer – uma estrela”, recorda com bem-humorado saudosismo.

Foi nessa época que seu irmão mais velho, Geraldo Gomes da Silva, emprestou-lhe 15 mil cruzeiros para que o jovem, mas já experiente, José Alencar, aos 18 anos de idade, começasse seu primeiro negócio. No dia 31 de março de 1950, o futuro Senador e Vice-Presidente da República, um dos mais bem-sucedidos empreendedores do país, abria as portas de sua primeira empresa: “A Queimadeira”, na avenida Olegário Maciel, 520, no Barro Branco, em Caratinga. A firma era individual: José Alencar Gomes da Silva.

Foi com esses 15 contos que começou sua lojinha em Caratinga. Era abaixo de microempresa, duas portas de madeira. Ela não foi inaugurada, foi aberta. Seu irmão Geraldo se dispôs a lhe emprestar os 15 contos, por acreditar nele. Sabia que ele tinha planejado tudo. José Alencar não possuía nem um tostão, mas conhecia o mercado, conhecia todos os fornecedores e todas as mercadorias. Sabia que tipo de mercadoria comprar, por quanto poderia comprar e sabia também que seu custo seria imbatível, o mais econômico da praça.

Como José Alencar era menor de idade, ele pediu a seu pai que o emancipasse com escritura pública da emancipação, o que foi feito.

Morar na própria loja, “atrás da prateleira”, e comer de marmita fazia parte do esforço para baixar os custos e tornar competitiva a lojinha, que vendia quase de tudo: tecidos, calçados, chapéus, guarda-chuvas, sombrinhas, armarinhos, etc. O primeiro auxiliar foi o Manoel.

“Depois”, conta Alencar, “alguns irmãos me ajudaram: o Toninho, o Lucílio e o Tatão. Este chegou a ser sócio por algum tempo, mas, mesmo quando não participou mais da sociedade, ainda assim seus empréstimos sempre me valeram em momentos mais difíceis”.

No ano de 1953, José Alencar decide mudar de ramo. Desde o começo daquele ano inicia o processo de preparação para passar “A Queimadeira”. Vendê-la. À medida que ia vendendo o estoque, foi pagando todos os compromissos, com o Geraldo, os fornecedores, os bancos e a fazenda pública. Em dezembro, tudo pago, concretiza-se a operação. Três promissórias, com vencimentos em 30 de abril de 1954, foram recebidas. Nada mais.

Estava encerrado o primeiro capítulo dessa história.

Depois de “A Queimadeira”, uma nova fase se abriu na história de José Alencar. Recebeu a primeira promissória em abril e a segunda em agosto. Durante esses oito meses sem capital, foi viajante de um grande atacadista de tecidos do Rio de Janeiro, empresa denominada Tecidos Custódio Fernandes S.A., e aprendeu, em estabelecimento modelar, a trabalhar com atacado.

Ao receber a segunda promissória, voltou a se estabelecer, agora com cereais por atacado, ainda em Caratinga, onde, em seguida, participou – em sociedade com José Carlos de Oliveira, Wantull Teixeira de Paula e seu irmão Antônio Gomes da Silva Filho – de uma fábrica de macarrão, outro grande sucesso. Era a Fábrica de Macarrão Santa Cruz.

No Natal de 1959, uma grande perda: morre o Geraldo, irmão, amigo e conselheiro. José Alencar foi chamado para assumir os negócios que Geraldo iniciara, havia 10 meses, em Ubá.
Eram sócios o próprio Geraldo, seu tio Heitor Serrano Peres, Manuel Nascimento Moura, Manuel Vieira, todos já falecidos, e João Batista Magro, que vive hoje em Belo Horizonte.
A empresa denominava-se União dos Cometas, de Geraldo Gomes & Cia. Com a reestruturação societária, em homenagem ao principal fundador, manteve-se o seu nome, adotando a razão social Geraldo Gomes da Silva, Tecidos S.A.

Em 1963, José Alencar construiu a Cia. Industrial de Roupas União dos Cometas, que mais tarde ganharia outro nome, Wembley Roupas S.A. Essa denominação surgiu graças ao sonho do tricampeonato da seleção brasileira na Copa de 66, disputada no Estádio de Wembley, em Londres. A seleção não foi feliz e perdeu aquele campeonato, mas o empreendimento de José Alencar não parou mais de crescer.

Em 1967, com o apoio da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e do Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), José Alencar – em parceria com o conceituado empresário e Deputado Luiz de Paula Ferreira, da área de beneficiamento de algodão – fundou, em Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas.

Todavia, a inauguração da fábrica de fiação e tecidos, a mais moderna de todas quantas existiam, deu-se em 1975.

Josué Christiano Gomes da Silva, filho de José Alencar, é, na atualidade, o executivo titular da Coteminas. Passou a exercer, em 1996, a Superintendência Geral da Companhia, até então ocupada por José Alencar desde a constituição da empresa em 1967.

O crescimento da empresa, sob seu comando, tem sido objeto de admiração por parte de todos quantos militam no ramo têxtil, em nosso país e até mesmo no exterior.

Hoje com 15 fábricas no Brasil, 5 nos EUA, uma na Argentina e uma no México, mais de 15 mil colaboradores, e contando com a satisfação dos mais exigentes clientes no mercado brasileiro e internacional, a Coteminas continua acreditando no entusiasmo e solidariedade como motores do crescimento, e a confirmar seus compromissos com sua própria equipe, seus fornecedores, clientes e acionistas, e com as comunidades nas quais está inserida.

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Última Atualiação
17/03/2010