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Marisa - Mercado Brasileiro de Varejo

O Papel da Mulher

A mulher brasileira conquistou igualdade jurídica em relação ao homem com a Constituição Federal de 1988. Até então, as mulheres casadas eram subordinadas aos seus maridos e aos homens era atribuído o papel da liderança familiar. A partir da década de 70, estudos demonstraram um aumento significativo no número de lares brasileiros liderados por mulheres: de 13% em 1970 para 16% em 1980 e 20% no final da década de 80. Esta tendência tem alterado a dinâmica nas relações familiares, permitindo que as mulheres assumam uma maior parcela da autoridade na administração do lar, colocando-as em uma posição de maior igualdade em relação aos homens de suas famílias, além de conferir um importante papel na sociedade brasileira, principalmente nos casos de mulheres de famílias com baixa renda.

  • a participação da mulher na economia brasileira subiu de 18% em 1970 para 27% em 1980 e 30% em 1990, embora tais números subestimem as taxas reais de participação da mulher por não levar em consideração as atividades informais desempenhadas em empresas familiares de pequeno porte;
  • atualmente, mais de 70% das mulheres inseridas no mercado de trabalho estão empregadas no setor de serviços, em comparação com 42% entre os homens; e
  • as mulheres brasileiras são mais comumente empregadas em tarefas domésticas, e tendem a não ser satisfatoriamente representadas na força de trabalho formal relacionada à agricultura e às atividades industriais.

As últimas décadas também marcaram mudanças relevantes na estrutura das famílias brasileiras, que tradicionalmente se caracterizavam por serem predominantemente patriarcais, com o homem representando a autoridade máxima na direção familiar. A autoridade masculina tem sido tradicionalmente baseada na representatividade social, e não no controle da renda familiar - uma função que tem sido cada vez mais controlada pela mulher.

Ainda existe, no entanto, uma diferença salarial considerável entre homens e mulheres no Brasil. Apesar dessa diferença salarial, há indícios de que as decisões de consumo familiares em sua maioria sejam tomadas pelas mulheres, dado que elas são geralmente responsáveis pela administração do orçamento familiar e pela alocação dos recursos para os gastos da família.

A evolução do papel da mulher na sociedade, bem como sua maior participação no mercado de trabalho e na economia brasileira, tem representado um aumento do mercado potencial do setor de varejo de roupas femininas no qual a Marisa está inserida.

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O Setor Varejista no Brasil

O setor de comércio varejista brasileiro tem obtido crescimento principalmente motivado pela combinação de diversos fatores entre os quais a forte recuperação da economia brasileira nos últimos anos, o aumento da oferta de crédito ao consumo, diminuição das taxas de juros, a expansão da massa de salários reais e o aumento do emprego formal.

O volume e as condições de crédito disponíveis na economia exercem grande influência no desempenho do setor varejista. Os grandes desafios para impulsionar o setor concentram-se atualmente na redução das taxas de juros bancárias e diminuição da inadimplência.

O poder de consumo da população é sensível à oscilação dos índices econômicos. A Marisa acredita que o mercado permanecerá aquecido, com aumentos dos níveis salariais, redução dos níveis de inflação e manutenção do crescimento populacional. Isso possibilitará o crescimento do consumo em termos gerais, bem como o aumento dos gastos com vestuário e outros bens duráveis e não duráveis.

Recentemente, as famílias de Classe C e D têm aumentado seu poder de compra devido a diversos fatores, entre eles, a uma menor taxa de inflação, à redução da taxa de desemprego, ao aumento do crédito pessoal e a uma política governamental de inserção social. Conseqüentemente, o setor varejista tem focado cada vez mais em conquistar as famílias de menor renda.
As tendências demográficas do Brasil são bastante favoráveis ao setor varejista em geral, especialmente o setor de lojas de departamentos. Segundo o IBGE, a população do País é predominantemente urbana, com cerca de 81,2% da população vivendo em domicílios situados em áreas urbanas onde estão localizadas a maioria das lojas de departamento. Outro fator favorável ao setor varejista é que aproximadamente 57,8% da população têm menos de 29 anos. Os jovens são geralmente mais preocupados com a moda e geralmente gastam uma percentagem significativa de sua renda em vestuário. De acordo com diversas pesquisas sobre o poder de consumo dos jovens, os gastos com vestuário estão entre os três maiores gastos mensais em todas as classes sociais analisadas dessa faixa da população.

A Marisa acredita desse modo que ocorrerá uma concentração em todos os segmentos do setor varejista, com implicações favoráveis para as grandes empresas remanescentes que se beneficiarão de maiores economias de escala no fornecimento de serviços, na implementação de medidas de redução de custos e no aumento de eficiência e de logísticas de fornecimento de mercadorias por terceiros. O setor varejista brasileiro depende do ganho de escala para incrementar sua rentabilidade, dado que as margens do setor tendem a ser pequenas comparadas com as de outros setores. Acreditamos que os incentivos para o aumento de escala resultarão em uma crescente consolidação do setor.

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O Setor Varejista de Vestuário no Brasil

O setor varejista de vestuário no Brasil é tradicionalmente um setor muito fragmentado. Apesar da rápida conquista de espaço dos shopping centers na última década e a expansão bem sucedida de grandes redes de lojas de departamentos de vestuário, a Marisa ainda acredita haver um espaço considerável tanto para o crescimento orgânico do setor como por meio de aquisições.

O setor de varejo de vestuário no Brasil é altamente competitivo, porém com baixa concentração. A concorrência neste setor pode crescer por haver poucas barreiras à entrada de concorrentes. Os conceitos da Companhia competem com lojas de departamentos locais, nacionais e internacionais, lojas de especialidades, lojas de desconto e comércio varejista.

Além das grandes redes de lojas de departamentos, o setor de varejo de vestuário no Brasil é composto por pequenas empresas e lojas varejistas locais, muitas vezes que carecem de escala, ampla base de fornecedores e eficiência operacional das grandes redes, porém são capazes de competir com as grandes lojas por se adaptarem às preferências locais com maior flexibilidade. Além disso, em alguns casos, esses pequenos varejistas atuam de maneira informal na economia, sem observar o fiel cumprimento de leis fiscais, trabalhistas e previdenciárias, e conseqüentemente praticam preços mais baixos.

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A Classe C

Segundo o Data Popular, a classe C brasileira tem renda familiar mensal em média de R$ 1.829,00 até R$ 3.379,00. De 2004 à 2011, a participação dela sobre a população brasileira cresceu 36%, um aumento de 27 milhôes de pesssoas. Houve, portanto, um grande crescimento real de renda no período.

Nota-se, que 5,1% da renda da classe C é destinada para o consumo de vestuário. E, no gasto total em vestuário no Brasil, a classe C corresponde por 48,3%.