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Como planejar as atividades de RI para o ano seguinte?
Por Ricardo Bettoni - Consultor de Relações com Investidores, MZ Group

Chegou a hora de montar o orçamento da área de relações com investidores para o próximo ano. Mas como funciona mesmo esse processo? Como sair do trabalho mecânico de simplesmente preencher o formulário de expectativas de investimentos na área para o ano que vem?

Em primeiro lugar, é necessário enxergar além do orçamento e traçar uma estratégia. Pensar agora em quais são as necessidades e objetivos da empresa é a peça-chave do planejamento de atividades. Além disso, só conseguimos melhorar (e mostrar aos chefes que melhoramos) aquilo que podemos medir. Recomenda-se ter sempre em mente que as duas principais finalidades de uma área de relações com investidores de alta performance são: (i) gerenciar as expectativas do mercado; e (ii) gerenciar a base de investidores da companhia.

Para facilitar essa discussão, formulamos cinco perguntas básicas que ajudarão no planejamento da área de relações com investidores:

1- O perfil dos investidores de sua base (Value, Growth, GARP, Hedge Fund etc.) está alinhado com o momento atual da companhia?

2- As expectativas dos investidores estão alinhadas com aquelas dos gestores da companhia?

3- As ferramentas para mensurar essas expectativas e qualificar a base de investidores estão adequadas?

4- As ferramentas de comunicação com o mercado estão adequadas e atualizadas em relação às novas tecnologias disponíveis para atingir esses objetivos?

5- Qual será o plano de ação para realizar os ajustes necessários (ou possíveis)?

A importante missão de otimizar as atividades de rotina

É claro que não devemos nos esquecer das atividades rotineiras da área de RI, como, por exemplo, a divulgação trimestral de resultados, a assembleia geral ordinária (AGO), compliance com os órgãos reguladores (CVM e SEC, quando aplicável), o formulário de referência, a reunião pública anual obrigatória e a publicidade legal. Algumas dessas atividades envolvem outras áreas da companhia e são o verdadeiro momento de exposição e contato do management com o mercado. Para que esses processos sejam executados com maestria, faz-se imprescindível o alinhamento e a distribuição das atividades, combinados à adoção de um cronograma de realização destas definido em comum acordo entre todas as áreas envolvidas no processo, indicando cada responsável e as respectivas datas-limite para sua conclusão. Além de evitar problemas de última hora por meio de um planejamento bem feito, esse processo também elimina despesas adicionais desnecessárias, atritos internos, e claro, riscos para a imagem da empresa.

Ferramentas de administração da base acionária e expectativas do mercado

Para saber se sua empresa possui a base de investidores adequada é necessário saber se sua história de investimento é compatível com o perfil de seus investidores atuais (por exemplo, uma empresa com alta velocidade de crescimento e que ainda tenha perspectiva de prejuízo para o ano seguinte com uma base de investidores "dividend yield" é obviamente um problema a ser resolvido) ou, no caso de um processo de mudança no perfil da empresa, é preciso estar ciente de quais impactos ela poderá sofrer como resultado dessa mudança. Nesse sentido, identificar seus acionistas, o chamado "shareholder’s ID", e estudar quem investe em seus pares (targeting) são atividades essenciais.

Não se pode perder tempo, muito menos dinheiro, conversando com gestores e acionistas que não tenham interesse no setor, no porte, no país ou em qualquer outra variável em que a companhia esteja inserida. A expressão "tempo é dinheiro" se encaixa perfeitamente nesse contexto.

Para mensurar o alinhamento das expectativas dos investidores com as dos gestores das companhias existem métodos bastante eficazes e simples. O primeiro é avaliar se o consenso do mercado está alinhado com o plano de negócios da empresa. Nada que um bom cálculo de desvio padrão não possa resolver sob o ponto de vista de resultados. O segundo é efetuar um diagnóstico dos gaps de valor, percepção e reputação da empresa. Trata-se de uma maneira de avaliar em 360º como sua empresa é percebida pelos seus stakeholders. Com base nesse tipo de estudo, é possível criar um plano de ação visando eliminar esses gaps e garantir o alinhamento entre investidores e companhia.

RI é Marketing

A apresentação e a percepção de uma companhia sempre podem ser melhoradas. Já pensou se a mensagem de investimento que você apresenta está convencendo seu investidor-alvo nos três primeiros slides? Realize também um Investor Day - melhor ainda se em alguma unidade de negócio da companhia, seja planta industrial, imóvel ou escritório próprio. Além de aproximar a alta administração dos principais analistas e investidores, essa é uma ótima oportunidade para uma explicação detalhada de algum processo-chave da companhia.

RI é marketing, e não se faz marketing sem uma boa estratégia de comunicação. Traçar, em conjunto com sua equipe de comunicação, uma agenda anual de releases mensais e entrevistas também faz parte do planejamento de RI. É importante estar no radar dos investidores, e nada melhor que estar presente nos principais jornais de economia e de grande circulação.

Portanto, avalie, pense, programe-se, planeje, convoque os times e pessoas responsáveis e mãos à obra!

Ricardo Bettoni
Consultor de Relações com Investidores, MZ Group
ricardo.bettoni@mzgroup.com
+ 55 11 3529-3758
www.mzgroup.com/br

Última Atualização em 9 de outubro de 2012
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