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Um pouco além dos tradicionais guias e manuais de RI

Por Rafael Rosenberg - Consultor de Relações com Investidores, MZ Group

Os tradicionais manuais e guias de relações com investidores abordam diversos aspectos e responsabilidades da área, bem como oferecem um guia rápido para consultas sobre obrigações legais, um material muito útil para referência especialmente quando disponibilizados em meios eletrônicos, garantindo, assim, as melhores práticas de sustentabilidade e acessibilidade às informações.

Porém ao avaliar o conteúdo desses manuais geralmente nos deparamos com alguns questionamentos. Afinal, será que a função da área de relações com investidores é de apenas garantir compliance?

Não, RI é marketing! E boas estratégias de comunicação financeira em relações com investidores devem ser elaboradas de forma integrada, observando três elementos-chave: relatórios obrigatórios, informações suplementares e interações com investidores e intermediários, conforme descrito abaixo:

Além disso, essas estratégias devem ser embasadas na credibilidade construída pela empresa até então e nos três princípios de relacionamento: acesso a informações, transparência e igualdade de tratamento. Com base nesses princípios básicos, iniciamos o desenho de uma estratégia de comunicação financeira com o mercado, diferente para cada empresa, dependendo de seu estágio de investimento. Alguns pontos a serem considerados na elaboração de sua estratégia de comunicação financeira abrangem:

Analistas e investidores estão sempre ávidos por mais informações: não importa qual o grau de disclosure do seu programa de RI, eles sempre pedirão por mais abertura. No entanto, sabemos que por questões estratégicas ou até mesmo determinadas limitações inerentes ao negócio ou à companhia, não é possível atender todas as demandas. Para solucionar esse dilema, recomendamos um benchmarking para identificar como está o disclosure de sua empresa e se as informações fornecidas por seus pares ao mercado são suficientes para projetar e entender os resultados.

Aliás, é conveniente que o RI seja muito criterioso ao divulgar novas informações, pois pior do que não divulgar determinada informação é fornecer essas informações e depois não mais disponibilizá-las. Se nunca houve o disclosure da mesma, nenhum analista conta com ela em seu modelo. Por outro lado, se a companhia fornece a informação e, de um momento para o outro, decide não mais torná-la disponível, essa decisão poderá impactar o modelo de avaliação utilizado pelos analistas, além de criar certa desconfiança no mercado, por mais racional que seja o motivo da remoção da informação.

Colher o feedback do mercado sobre a companhia e seus pares também é uma ferramenta fundamental para promover melhoria contínua. Identificar melhorias em seus materiais de comunicação, na qualidade da equipe de RI, no modelo de negócios e na estratégia da companhia contribuem não apenas para melhorar a qualidade de sua estratégia de comunicação, mas sobretudo, para o posicionamento estratégico da empresa na economia real.

Muitas empresas (e principalmente sua alta administração) só aparecem para o mercado no momento da divulgação dos resultados e se resguardam no restante do ano. Esta atitude pode gerar uma imagem de dificuldade de acesso à companhia, restringir a liquidez do papel ou, até mesmo, tirar a empresa do radar dos investidores e analistas, principalmente no caso daquelas denominadas small caps.

Por isso, é necessário "fazer barulho" com frequência. Isso pode ser feito de várias formas, principalmente com o advento da Internet e das mídias sociais. A divulgação periódica de relatórios operacionais , por exemplo, é uma excelente maneira de encorajar contatos com analistas e investidores, movimentar as mídias sociais, propiciar um momentum para um non-deal-road show ou até mesmo, para uma aproximação com investidores estratégicos.

É importante também lembrar que é justamente nos períodos de crise (interna ou externa à companhia) que o mercado mais necessita de informações para tomar sua decisão de compra, venda ou manutenção das ações. Portanto, caso a situação atual seja desfavorável para a companhia, não desapareça, no mínimo mantenha seu fluxo de informações e, se for o caso, amplie a frequência da comunicação.

É muito comum o programa de RI ficar muito concentrado, buscando apenas explicações para as variações das contas dos demonstrativos financeiros, dando menor atenção ao aspecto operacional do negócio que, em última análise, é o gerador desses mesmos números. Muitas vezes isso não é diferente para o mercado.

Quanto maior o nível de complexidade do negócio, maior a necessidade de explicar como tudo funciona. Portanto, explicar e mostrar a sua estrutura operacional para o mercado é um ponto fundamental para que analistas e investidores tenham uma percepção do negócio como um todo. Por esta razão, várias companhias promovem seus Company Days em suas plantas, centros de monitoramento, de pesquisa, de distribuição, campus e escritórios, e, vale mencionar aqui, que mesmo em eventos realizados fora do eixo Rio-São Paulo, o nível de comparecimento de analistas e investidores é alto.

Visitar uma fábrica e assistir o processo de montagem de um produto, entender como funciona o estoque ou o monitoramento de serviços e conhecer a infraestrutura com que a companhia conta são experiências que não cabem em uma apresentação ou release e só poderão ser proporcionadas através de uma visita à sua real operação.

Mesmo que a sua companhia desenvolva um programa de RI primoroso, não estará livre de uma depreciação do papel em caso de resultados ruins ou da divulgação de notícias que possam impactar negativamente seu negócio.

A função estratégica do RI é desenvolver um programa de comunicação tão eficiente que minimize a diferença entre o valor percebido pelo mercado e o real valor da companhia. Um bom programa de RI que mantém o mercado regularmente informado, que permite uma boa compreensão do negócio, com um bom nível de disclosure e que consegue administrar as expectativas dos analistas e investidores pode tanto minimizar as perdas do papel em momentos de crise, quanto maximizar os ganhos nos casos de situações favoráveis.

Pensar antecipadamente em quais são as necessidades e objetivos da empresa é a peça-chave do planejamento das atividades. Para facilitar essa discussão, formulamos geralmente cinco perguntas básicas que o ajudarão no planejamento da área de relações com investidores - detalhadas no artigo "Como planejar as atividades de RI para o ano seguinte?" escrito pelo meu colega Ricardo Bettoni. Recomendo a leitura!

Rafael Rosenberg
Consultor de Relações com Investidores, MZ Group
rafael.rosenberg@mzgroup.com
+ 55 11 3529-3758
www.mzgroup.com/br

Última Atualização em 23 de outubro de 2012
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